União Vegetariana Europeia

escrito/traduzido por : Vanda Viegas / mateus mendes

Encontros EVU - A resposta vegetariana à fome no Mundo


Jornadas EVU 2007 – A resposta do Vegetarianismo à Fome no Mundo

“Gostariam de comer alguma coisa?"

A pergunta é feita pelo hospedeiro da Austrian Airlines, envergando um uniforme vermelho. Ele segura nas mãos um típico tabuleiro de alumínio.

"É comida vegetariana?"

"Não."
A mão mantém-se suspensa, como se ele esperasse que nós disséssemos: "Não se preocupe! Nós somos vegetarianos, mas se ninguém estiver a ver, nós comemos o fricassé de galinha. Se você não contar a ninguém, nós também não contamos”.

Agradecemos-lhe a oferta e viramo-nos um para o outro: "Que tal uns amendoins?"


Estamos a caminho dos Encontros da EVU em Viena, organizadas pela Vegan Society (Sociedade Vegana) da Áustria e pela Austrian Vegetarian Union (União Vegetariana Austríaca). Segue-se uma atribulada viagem de táxi – o motorista não faz a mínima ideia do local onde nos leva e o seu periclitante sistema de localização global não ajuda tão pouco – e eis-nos finalmente chegados ao Sport-und Seminarzentrum, em Prater.

Manhã de Sábado. Caras novas e caras familiares. É sempre agradável ver aqui tanta gente e saber as últimas novidades. Estes Encontros da EVU estão subordinadas ao tema ”Resposta do Vegetarianismo à Fome no Mundo” e, obviamente, as duas primeiras palestras da tarde são sobre este tema. Renato Pichler dá o pontapé de arranque com a sua apresentação, seguido de Anita Euschen, da Animal Friends Croatia (Amigos dos Animais da Croácia). A sua mensagem é semelhante à de Renato Pichler.


A palestra seguinte, conduzida por Martin Balluch, da Association Against Animal Factories (Associação contra a Criação Industrial de Animais), é diferente. O seu tema tem o título “Sinergias do Activismo Vegetariano e dos Direitos dos Animais”. Ele é um orador vibrante e não é preciso ter muita imaginação para perceber que, quando ele fala nas escolas sobre a questão dos direitos dos animais, um bom número de jovens sai de lá a pensar que está na altura de mudar o seu estilo de vida.


O dia termina com uma apresentação do vídeo 'Devorar a Terra', com apresentação de Thomas Cuk, da Eslovénia. É um documentário chocante, narrado por Sir Paul McCartney, confirmando mais uma vez o que a maioria de nós já sabe: a indústria pecuária é prejudicial e desastrosa. Este documentário deveria ser exibido nas escolas, juntamente com o de Al Gore, 'An Inconvenient Truth' (Uma verdade inconveniente), para deixar bem claro que o filme do Sr. Gore omite cuidadosamente os efeitos da indústria pecuária no aquecimento global.


A manhã de Domingo começa com um outro orador entusiasta. Paul Turner, da Food for Life (Alimentação para a Vida), é impressionante e inspirador. A sua apresentação dá-nos vontade de sair e ajudar voluntariamente as pessoas atingidas pelas guerras ou por outras calamidades.


A oradora que se segue é Barbara Ruetting, membro do Parlamento Estatal Bávaro. Quando ela revela a sua idade (e seria indelicado repeti-la aqui...), ficamos de queixo caído e ouve-se um murmúrio de admiração. Em tempos actriz, ela é agora uma ardente defensora do Vegetarianismo e dos Direitos dos Animais. Ela conseguiu convencer o restaurante dos membros do Parlamento Bávaro a servir refeições vegetarianas todos os dias. Não é proeza pequena, num país carnívoro como a Alemanha!

Segue-se Hildegund Scholvien, que não precisa de se esforçar grandemente para nos convencer a ir a Dresden em 2008, para o 38º Congresso Mundial Vegetariano. A lista de oradores que já confirmou a sua presença é interessante! Após o almoço, há uma sessão acesa de troca de ideias e projectos, e o convite para participarmos nos próximos Encontros da EVU, na Suíça.


Infelizmente, o dever chama-nos de volta a Frankfurt, e por isso não podemos assistir à intervenção de Stephen Walsh, sob o tema: 'Vida saudável sem produtos de origem animal'.

Serve-nos de consolo o facto de que o veremos e ouviremos no próximo ano em Dresden, e encaminhamo-nos para o aeroporto. Desta vez, o taxista sabe exactamente para onde vai. Em todo o Aeroporto de Viena, encontramos somente uma (!) opção vegetariana para comer: uma sanduíche de queijo. Pouca sorte se se for Vegano! Imagino que, ou se morre de fome, ou se tem a esperança de que vendam amendoins. Entramos no avião e repetimos a nossa rotineira pergunta quando servem a refeição: “É vegetariano?”, para fazermos valer a nossa posição perante uma surpreendida hospedeira.

Não é fácil ser Vegetariano, mas depois de um fim-de-semana como este, vemos confirmada e reforçada a nossa convicção sobre o porquê de o sermos!

Até para o ano!


Carla e Geórgia


 


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